Metodologias de Desenvolvimento

Demorei a fazer essa matéria, pois é muito difícil falar de metodologia, principalmente dentro da produção de jogos de forma geral, você tem fatores de mercado para jogos comerciais, educativos quando voltados a educação, de gamificação que podem contribuir para treinamentos e melhoria de habilidades de indivíduos dos mais diversos setores e essa lista não para, acredito que você já entendeu que existem as mais variadas formas e ideologias de desenvolvimento que podemos obter de acordo com o projeto, setor de destino e nível de complexidade que cada jogo pode trazer para seu desenvolvedor.

Primeiramente, tenha em mente que sou um desenvolvedor que utiliza o desenvolvimento de jogos como um estilo de vida, para desenvolver habilidades e divertir-se com a criatividade, minha vivência no meio do designer de jogos está entre a ciência e a melhoria de produto, logo, volto minha atenção a esses fatores a maioria das vezes, me divirto com o desenvolvimento de jogos, essa é minha jornada, meu objetivo antes de tudo.

A discussão aqui levantada poderá ser encontrada em maiores detalhes em meu livro 'Jogos digitais: princípios, conceitos e práticas', destinada a pessoas leigas que querem entender e aprender o básico para construir seus primeiros projetos de jogos digitais, compilei na obra conceitos básicos e um conjunto de técnicas simples que nos ajudam na fase de concepção até o desenvolvimento de um jogo, possivelmente a obra estará disponível totalmente gratuita, até a presente data, a mesma já está registrada, completa e pronta para publicação, diria até disponível, falta apenas disponibilidade pela editora (em site oficial), coisa pouca, prometo, assim que disponível o link de download, avisarei a toda comunidade.

Uma metodologia vai te ajudar a atingir seus objetivos, ira melhor traduzir e direcionar o que devemos fazer em um projeto, pois a mesma é composta de técnicas, métodos ou passos que ajudam as pessoas a desenvolveram algo, no caso de jogos, já podemos usufruir de metodologias criadas pela comunidade indie (desenvolvedores independentes), modelos de processo da engenharia de software que estudamos atualmente em faculdades de tecnologia ou mesmo criar uma que nos satisfaça baseando-se no que conhecemos, uma mixagem, a recente identificação do desenvolvimento de jogos como carreira é algo novo em comparação com outras áreas, temos muitas novidades e reuso de metodologias antigas readaptadas.

Podemos equilibrar as atividades de um projeto de jogo em quatro processos principais: Planejamento (1), Coordenação (2), Execução (3) e Resultados (4). Planejar é a base, temos que construir algo bem sólido que comporte as etapas posteriores. Em resumo, tudo que é bem planejado é melhor coordenado e executado, os resultados aparecerão se estas etapas forem bem estruturadas e complementares, mas claro que qualquer uma delas mal elaborada ou construída sem cuidado afetará a etapa seguinte diretamente.

Vou citar aqui descobertas dentro deste entorno que me ajudaram muito, são incrivelmente simples, mas muito bem elaboradas e definidas (Compilação resumida do capítulo 3 - Metodologias e técnicas de desenvolvimento para jogos, pg. 29 - 45, da obra Jogos digitais: princípios, conceitos e práticas, 2018):

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O MDA, abreviação para “Mechanics, Dynamics & Aesthetics” em português com tradução livre, “Mecânicas, Dinâmicas e Estéticas” é um framework utilizado em game design para a análise e criação de jogos, seus elementos têm características distintas e nos ajudam a identificar e analisar cada parte de nosso jogo para projeto e desenvolvimento.

O framework MDA formaliza o consumo de jogos, dividindo-os em componentes distintos: regras, sistema e diversão. Quando o jogador começa a jogar um game, podemos obter uma perspectiva do jogo pelo mesmo, observando como ele interage com o jogo, seu entendimento e adaptação às regras através do sistema de jogo que é apresentado e começa a se divertir.

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Leia um artigo acerca deste tópico: “The MDA Frameword” de Luiz Claudio Silveira Duarte, disponível em: http://www.gamasutra.com/blog/LuizClaudioSilveiraDuarte/20150203/233487/Revisiting_the_MDA_framework.php.

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O Design, Play, Experience (DPE) Framework ou em tradução, Estrutura de Design, Jogar e Experiência, foi criado como uma ferramenta metodológica de design para criação de jogos sérios com potencial de mercado em uma abordagem de design formal para concepção da aprendizagem, narração, jogo, experiência do usuário e componentes de tecnologia de um jogo sério. A abordagem criada fornece ao desenvolvedor uma linguagem comum para discutir o design de jogos sérios.

Em um projeto de jogo, devemos ter a teoria, o conteúdo e o game design compatíveis e complementares, a sobreposição existente entre estas partes, foi apelidada por Winn (2008) em sua pesquisa como “o coração dos jogos sérios”. O conceito do coração do design sério apresentado por Winn, trata-se de um paralelo ao “technological pedagogical content knowledge model” (TPCK), em tradução livre, “modelo tecnológico de conhecimento de conteúdo pedagógico”, proposto por Mishra e Koehler (2006, apud Winn, 2008, p. 1012).

O DPE surge como uma extensão do MDA, possui estrutura semelhante, retrata a relação entre o designer e o jogador. O designer projeta o jogo para um jogador joga-lo, o que resulta na experiência do jogador. O designer tem controle direto sobre o próprio projeto. Para projetar um jogo de forma eficaz, o designer deve primeiro apresentar metas para a experiência resultante.

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Leia o artigo original, utilizado para composição deste capítulo: “The Design, Play, and Experience Framework” de Brian M. Winn no link: http://gel.msu.edu/winn/Winn_DPE_chapter_final.pdf.

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O desenvolvimento ágil de software (DAS) é uma metodologia que utilizamos com objetivo de aumentar nossa produtividade, dividindo as tarefas, para que sejam menores e completadas em curtos espaços de tempo. Cada tarefa compreende ações que possibilitam sua conclusão. Cada tarefa completa um ciclo ou uma iteração, um incremento da totalidade do projeto. Gerando resultados de forma rápida para seus desenvolvedores (Pressman, 2011). (Vale ressaltar que em meu livro, não aprofundo nas diversas metodologias ágeis, focamos nos principais processos e ações, para simplificar, so um modelinho, este que chamo de DAS.... argumento aqui para não causar confusão).

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Em suma, os conhecimentos supracitados anteriormente irão ajudá-lo a melhorar muito sua visão entre design e desenvolvimento de software, a maioria das ferramentas, game egines (motores de desenvolvimento de jogos, oferecem recursos e ferramentas apara criar nossos jogos), incorporam essas visões, logo compreende-las, tornará suas habilidades da concepção ao desenvolvimento de um jogo, refinadas e possibilitar uma compostura ideológica sobre o que e como se pensar ao fazer e executar suas atividades de desenvolvedor.

Com isso, podemos salientar que a atividade de produção de um jogo implica em adequar nossa visão de mundo em aspectos, por vezes, subjetivos e intrinsecamente pautados pela pessoalidade de cada um, assim conhecer metodologias e técnicas advindas de visões de design e engenharia de software, estas, por sua vez , permeiam a área de desenvolvimento de jogos digitais, podem orientar nossas atividades em ambiente de produção real, garantindo maiores chances de sucesso em nossos projetos.


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